INSCRIÇÕES

Registo: CCPFC/ACC-100085/18, Nº de horas acreditadas: 12 

Modalidade: Curso de Formação, Destinado a: Educadores de Infância e Professores do Ensino Básico e Mediadores Culturais 

Preço: Associados com as quotas em dia: 35 Euros/ Não Associados 60 Euros

Local : Viseu, Quinta da Cruz

Formadora:  Teresa Eça Com  ANDREA HOFSTAETTER, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL- DEPARTAMENTO DE ARTES VISUAIS

Será um percurso de discussões e experimentações vinculadas ao tema de uma pesquisa intitulada “ A criação de materiais didáticos como ato poético”.

Pretende-se dialogar sobre possibilidades para a produção de recursos e situações de aprendizagem em que a concepção de objetos de aprendizagem ou material didático para Artes Visuais se abre a à dimensão poética.

Cronograma

1ª sessão: 12 de janeiro  de 2019,  das 10.30h às 12.30h e das 14.30h-17.30h, Quinta da Cruz. S. Salvador-Viseu

2º Sessão: 19 de janeiro  de 2019, das 10.30h às 12.30h e das  14.30h-17.30h, Quinta da Cruz. S. Salvador-Viseu

3ª sessão: 26 de janeiro  de 2019,  das 10.30h às 12.30h e das  14.30h-17.30h, Quinta da Cruz. S. Salvador-Viseu

 

Objetos propositores poéticos para Artes Visuais

A proposta dessa oficina está vinculada a um projeto de pesquisa intitulado “A criação de materiais didáticos como ato poético”, que está sendo realizada junto ao Departamento de Artes Visuais, do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre – RS/Brasil, e também a um projeto de pós-doutoramento dele advindo, que tem como objetivo principal a criação e experimentação de um objeto propositor poético. Pretende-se, nesse percurso investigativo, aprofundar os estudos sobre o conceito de Objeto de Aprendizagem Poético e sobre produções artísticas em que se opera com a proposição de experiências para o público, buscando possibilidades para a criação de materiais a serem utilizados em situações de aprendizagem na disciplina de Ensino de Artes Visuais, na confluência entre produções artísticas e proposições pedagógicas.

No trabalho aqui proposto serão abordados e discutidos os conceitos de Objeto Propositor e de Objeto de Aprendizagem Poético e serão realizadas algumas experimentações a eles relacionadas. Serão também apresentados alguns referenciais artísticos que fundamentam a criação de um material propositivo, em processo. Esse material será utilizado em experimentações e transformado no decorrer da oficina. Criar e utilizar um material didático poético poderá ensejar uma situação de vivência poética e de participação em uma proposição artística.

É necessário, como meio de aprofundar a pesquisa no campo, além de abordar conceitos teóricos pertinentes, uma aproximação com algumas proposições artísticas que se tornam referências da pesquisa, como modo de ativação poética do pensamento, já que estamos na área de Artes Visuais. Entende-se que a professora e o professor realizam ação poética ao pensar o trabalho docente neste campo e ao produzir materiais didáticos que participam das propostas. Acrescentam à potência de sua atuação como propositores de experiências estéticas e de aprendizagem, a potência da criação artística, que é sempre abertura ao inusitado, ao inesperado, ao informe.

Uma das referências para esse modo de pensar a atuação docente é o pensamento de Ernst Bloch, para o qual “cada obra artística e cada filosofia tiveram e ainda têm uma janela utópica onde se inscreve uma paisagem que apenas e permanentemente se esboça...” (BLOCH apud VERNER, 2000, p.175). De acordo com este mentor do pensamento utópico, o que move o ato artístico é uma força instauradora da ordem do “ainda não”, com a força de abrir brechas e criar novos sentidos.

Pretende-se que a concepção e a produção de objetos de aprendizagem ou material didático para Artes Visuais se abram à dimensão poética, levando a experiências de aprendizagem singulares e significativas – ou mesmo pensadas como experiências artísticas de aprendizagem, já que situadas em terreno poético e tendo como objeto de estudo a produção artística.

Alguns dos artistas cujos trabalhos servem de inspiração para o desenvolvimento do material propositivo poético em questão, e que operam com proposição participativa, co-autoria e co-invenção do público, são: Lygia Clark, Hélio Oiticica, Michel Groisman, Duda Gonçalves e Alan Kaprow. O objeto propositor poético a ser experimentado envolve o uso do corpo, descobertas a partir do corpo e de suas extensões, a relação entre distintos corpos. Pretende-se propor o uso de um material que possibilite relações e descobertas sobre o próprio corpo e sobre sua relação com outros corpos, construindo-se modos de habitar o espaço através dessas relações.

A aprendizagem é um processo de produção de conhecimento, ativo, participativo, singularizado e compartilhado. A ideia de pedagogia como acontecimento ou como evento, referenciada em Dennis Atkinson, vem contribuir com a intenção de criar um espaço aberto à participação e à discussão, onde as ações e relações poderão ocorrer de maneira não programada e eruptiva. Para Atkinson as situações educativas são espaços políticos e de dissenso, nos quais pode irromper o novo, o inesperado e até o indesejável. Um evento ou acontecimento é algo que perturba o estabelecido, porque é da ordem do aqui e agora e, talvez, do ainda não.

Espera-se contribuir com o campo de produção de materiais para proposições de aprendizagem em nossa área, entendendo-se que uma das funções do/a educador/a é produzir objetos propositores, desencadeadores de processos de criação e pensamento singulares com os/as estudantes dos diversos níveis da educação.

Para a criação de proposições de aprendizagem em Artes Visuais, mediadas por objetos de aprendizagem, cabe ultrapassar concepções de ensino-aprendizagem cristalizadas historicamente e propor alternativas para o cotidiano escolar. A invenção compõe o trabalho docente, tanto quanto o professor de Artes Visuais é também um produtor artístico. E é poética sua atuação e seu pensamento. Partimos do pressuposto de que o trabalho docente em Artes Visuais é a produção de experiências artísticas de aprendizagem, que envolvem tanto aquela ou aquele que as propõe, quanto os sujeitos que nela irão interagir para, por sua vez, proporem as suas invenções.

 

Objetivos:

- Promover a reflexão sobre processos de educação em Artes Visuais intermediados por objetos de aprendizagem poéticos;

- Estimular a pesquisa e a produção/criação de materiais pedagógicos para o Ensino de Artes Visuais a partir de uma perspectiva pautada na ação poética do/a professor/a propositor/a.

- Ampliar a busca de referenciais artísticos cujas proposições possam embasar a criação de objetos propositores para experiências de aprendizagem em Artes Visuais;

- Utilizar experimentalmente um Objeto Propositor Poético para situações de aprendizagem em Artes Visuais e propor criações poéticas a partir de seu uso, o reinventando.

 

Programa da oficina:

12.01

Objetos relacionais

Objetos propositores

Objetos de aprendizagem poéticos

Discussões e experimentações

Artistas propositores

Ações e experimentações

19.01

Um percurso de pesquisa, com produção de materiais

Objetos propositores criados e utilizados em situações de aprendizagem

Discussões e experimentações

Olhos e mãos”: um objeto experimental

Experimentação e criação

26.01

Transformações de objetos

Experimentação e criação

Projetos e objetos com vistas à aprendizagem em Artes Visuais

Experimentação e criação

 

Avaliação

Relatório final individual, participação e trabalhos realizados durante o curso, sejam estes individuais ou em grupo. De acordo com o regulamento interno do CFANAPECV do sistema de avaliação dos formandos docentes, a escala é de 1 a 10. Os parâmetros de avaliação são os seguintes: 1) assiduidade; 2) trabalho realizado; 3) participação; 4) relatório individual.